SINDROME DE WEST
Mara Lúcia Salazar MachadoRaquel GhinatoA síndrome de West pode ser definida como uma síndrome de origem neurológica que traduz a existência de uma encefalopatía epileptogenasendo caracterizada pela presença de “espasmos em flexão” e traçado por eletroencefalograma denominado hipsaritmia (F.A GIBBS y E. L. GIBBS apud AJURIAGUERRA, 1972, p.601).
Segundo Sanvito (1977) as pessoas portadoras da síndrome de West apresentam como características essenciais espasmos musculares, deterioração mental e um traçado eletrencefalográfico patognomônico. O elemento característico é espasmo em flexão, que pode atingir o corpo ou limitar-se à nuca. Estes abalos podem ser isolados ou mais comumente, agrupados em surtos e são acompanhados de falta da inconsciência (CAMBIER, 1988).
Clinicamente, os espasmos em flexão se apresentam como contrações musculares bruscas, de predomínio axial e inflexões de curta duração (de alguns segundos) que afetam a cabeça, o tronco e os membros (AJURIAGUERRA, 1972).
A idade de início do quadro tem seu surgimento no primeiro ano de vida de uma criança, porém, há registros de surgimento em idades mais avançadas na infância (ANDRADE, 1999).
Segundo a literatura, o pico máximo de aparição das crises ocorre entre três e sete meses de idade (JERUSALINSKY, 1988, p. 162.)
A síndrome de West aparece no lactante, em 90% dos casos antes da idade de um ano. (CAMBIER, 1988, p.160)
Em contrapartida Ajuriaguerra, (1972) cita que esta afecção aparece nos lactantes em 44% dos casos entre seis e doze meses.
Em relação à idade de aparição das crises, observamos que se iniciam discretamente mais cedo, nos quadro criptogenéticos (JERUSALINSKY, 1988, p.162.)
A grande maioria das crianças afetadas seria portadora de seqüelas neurológicas e mentais (oligofrenia grave). Tem sido assinalado, no entanto, casos em que o desenvolvimento é normal (AJURIAGUERRA, 1972).
Outra manifestação importante da síndrome é o retardo mental que em boa parcela dos casos, pode ser evitado pelo tratamento precoce do quadro. (SANVITO, 1977).
O tratamento com ACTH ou hidrocortisona pode melhorar notadamente o prognóstico epilético, sempre que for iniciado precocemente. Tem sido também preconizado os tratamentos com derivados diazepínicos (H. M. WEINMANN apud AJURIAGUERA, 1972)
Numerosos autores assinalaram a eficácia, ao menos a nível imediato, do ATCH. (CAMBIER, 1988, p.160)
CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS
Durante o período crítico, somado ao embotamento, a mediação específicaprovoca um quadro de ruptura com vida social. No período da crise há pouco registro orgânico e atraso do desenvolvimento. Há deteriorização neuropsicomotora e podem apresentar déficit intelectual e um retardo mental.
TRATAMENTO
Verificamos que as pessoas que apresentam a síndrome de West podem se beneficiar como os seguintes tratamentos:
Acredita-se que um indivíduo portador de síndrome de West venha se beneficiar de vários atendimentos, o que possibilitará que diferentes áreas do seu desenvolvimento sejam atendidas. Esta convicção busca sustentação em Turato (2003, p. 23) que afirma ser importante verificar como a abordagem do homem, em seus vários aspectos, pode e deve se complementar – dessa forma, os métodos, quaisquer que sejam, se fertilizarão uns nos outros.
BIBLIOGRAFIA AJURIAGUERRA J de Manual de Psiquiatria Infantil, Espanha: Ed.Masson S.A, 1972.
JERUSALINSKY, Alfredo Psicanálise e Desenvolvimento Infantil Um EnfoqueTransdisciplinar, Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.
SANVITO, Wilson Luiz Síndrome Neurológica, São Paulo: Ed. Manole, 1977.
TURATO, Egberto Ribeiro. Tratado da Metodologia da Pesquisa Clínico-Qualitativa: Construção teórico-epistemológica, discussão comparada e aplicação nas áreas da saúde e humanas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.
SÍNDROME DE WEST - PROPOSTA PARA PAIS DE CRIANÇAS PORTADORAS
"Quando penso em quanto sofrimento e desespero poderiam ser evitados se alguém tivesse se sentado conosco há alguns anos e nos dado alguma orientação, esperança, apoio, alguma informação sobre os problemas do nosso filho, fico roxo de raiva! As outras famílias que têm filhos deficientes como a nossa são tratadas da mesma maneira?" Silêncio. (trecho do livro Os deficientes e seus pais - Buscaglia, Leo.
A Síndrome de West foi descrita sob este nome em 1964. Uma de suas características são os espasmos em flexão, que se apresentam como contrações musculares bruscas, de predomínio axial e inflexões de curta duração (de um a alguns segundos, que afetam a cabeça, o tronco e os membros). Podem ser generalizada (flexões bruscas da cabeça aos pés ou localizadas), flexão da cabeça, dos membros superiores ou dos membros inferiores. O prognóstico da Síndrome de West é muito sombrio. A grande maioria das crianças afetadas seria portadora de seqüelas neurológicas e mentais. Têm sido assinalados, no entanto, casos em que o desenvolvimento é normal. Nas referências bibliográficas consultadas, percebe-se que 98% dos trabalhos estão direcionados para o controle das convulsões e aborda-se, portanto, somente a farmacopéia utilizada nos portadores de Síndrome de West. Nas áreas da fonoaudiologia, odontologia e mesmo nutrição, não é encontrado um artigo sequer. Isto nos mostra a necessidade de se pesquisar mais o assunto e publicar. Diante de todas as dificuldades que encontrei, decidi fundar em 1999 o EFFC - Espaço de Fonoaudiologia "Fernando Cordeiro", que oferece cursos de especialização em fonoaudiologia, mas que também tem como objetivo oferecer um trabalho de apoio aos pais de crianças, adolescentes e adultos com a Síndrome de West. Os profissionais que puderem divulgar esta iniciativa, certamente contribuirão e muito para a sua concretização, uma vez que no Brasil não há nenhuma associação e muito menos um trabalho dirigido às famílias, que se sentem angustiadas e perdidas frente a uma "doença" rara e de prognóstico difícil. As famílias podem ligar e se inscrever gratuitamente pelo fone: (11) 5092-9006 ou via e-mail - effc@effc.com.br
Maria Cristina Cordeiro, mãe de Fernando Cordeiro, portador da Síndrome de West. É fonoaudióloga, ex-docente da PUCCAMP, São Camilo, ex-diretora da Unicastelo e ex-conselheira do CRFa-SP. |
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