SINDROME DE HIPERATIVIDADE TDAH
TRANSTORNO DE DÉFICIT DE ATENÇÃO E HIPERATIVIDADE Danuza Comparin da Cruz
Aniê Coutinho de Oliveira
O TDAH é uma síndrome neurológica, e a clássica tríade de sintomas que a define inclui impulsividade, falta de concentração e hiperatividade ou excesso de energia [...] muitas pessoas que têm DDA são bastante inteligentes. O que acontece é que essa inteligência fica emaranhada no interior. Desfazer o emaranhado para que a linha corra mais fácil pode exigir mais paciência e perseverança do que essas pessoas são capazes de suportar (HOLLOWELL, 1999, p. 181).
Uma queixa muito comum nas escolas é a de crianças com Transtornos de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH). Entretanto, o primeiro obstáculo para uma intervenção pedagógica e psicomotora é a dificuldade em fazer corretamente o diagnóstico, por vezes, confundido como apenas excesso de agitação infantil.
A atividade motora que caracteriza as crianças hiperativas e, que, por sua marcante presença, deu nome ao distúrbio, manifesta-se por meio de uma atividade corporal excessiva e desorganizada, geralmente sem ter um objetivo concreto.
A hiperatividade tem relação com a falta da capacidade de concentração, isto é, a impossibilidade de abstração por muito tempo em foco, o que determina a falta de uma inibição voluntária e de atenção seletiva (NEGRINE, 1986, p. 128).
Aponta Negrine (1986) que, juntamente com essa atividade motora desmesurada que faz com que se considere a criança como “uma área móvel de desastre”, costuma surgir dificuldades em nível de motricidade de GROSS, por exemplo, dificuldade de coordenação visual-manual, bem como de atenção e de inibição voluntária (freio inibitório, termo usado por alguns autores), fracassos em atividades de coordenação, precisão e organização; falta-lhes controle motor que, na maioria dos casos, determina postura e locomoção inadequadas; apresentam, algumas vezes, desequilíbrios; observam-se movimentos involuntários de dedos (sincinesias) que interferem na realidade de certas tarefas.
Como conseqüência desta síndrome, segundo Negrine (1987), dos sintomas apresentados e detectados (dependendo de cada caso e grau de hiperatividade), as criançasterminammanifestando dificuldades de aprendizagem escolar, entre as mais comuns: dislexias, disgrafias, disortografia e dificuldade de cálculos.
Não se conhece a causa básica do TDA e TDAH, mas admite-se que haja um importante componente genético, uma vez que é habitual que indivíduo identificado como portador desta condição tenha parentes próximos e geralmente afetados (SCHWARTZMAN, 2001, p. 44).
À medida que a criança fica mais velha, denuncia Schwartzman (2001), começam a ficar evidentes a agitação, a hiperatividade e a dispersão. A agitação e hiperatividade fazem com que a criança se movimente muito, mude freqüentemente de tarefas por um período prolongado de tempo. Entretanto, com o passar dos anos, na adolescência ou vida adulta, os sinais e sintomas da hiperatividade e/ou distúrbio de atenção tendem a diminuírem, todavia, alguns traços característicos poderão permanecer por toda a vida.
Todos nós conhecemos, segundo o estudioso, adultos impacientes, que não conseguem permanecer sentados por mais do que alguns poucos minutos, que preferem atividades que não requeiram o uso da atenção concentrada. Alguns são até mesmo instáveis incapazes de manter um emprego por muito tempo e, sentem-se permanentemente prejudicados na ou para a realização de tarefas que exigem muita atenção e concentração.
Até pouco tempo, a hiperatividade era associada apenas às crianças. Hoje, está claro que o problema transtorna também a vida de adultos. O mais possível é o adulto com TDAH não ter todos os sinais manifestados na criança, mas isto não se associa a outros tipos de comorbidade, como a dependência a álcool e drogas, violação de propriedade alheia, maus-tratos de animais ou de pessoas, depressão, transtorno de humor bipolar, transtorno de ansiedade e tiques. A hiperatividade afeta o desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor da criança, isto é, as limitações em determinadas áreas desencadeiam dificuldades em outras.
Na escola são comuns e muito desagradáveis, contrariando a função educativa, rotular as crianças que se diferenciam das demais, tachando-as de burras, preguiçosas, desleixadas, desatentas, dispersivas, malcriadas, etc. Deve-se evitar tal procedimento, antes sim, encaminhar a criança para uma avaliação clínica competente. Observamos, a partir da leitura destes dois grandes pesquisadores, que a pedagogia, a metodologia trabalhada pelo alfabetizador nas séries iniciais é indispensável para a promoção (aprovação), interesse e aprendizagem de alunos hiperativos, que quanto antes diagnosticado, melhores serei os resultados e menores as chances de prolongarem-se à vida adulta. Além de um professor preparado e o acompanhamento psicopedagógico, atividadespara fazerem em casa com as crianças, indicar leituras sobre o tema e realizar reuniões periódicas também com os responsáveis. As crianças com TDAH apresentam dois grupos de sintomas: desatenção e hiperatividade.
A criança com TDAH tem dificuldade em focar a atenção. É impulsiva (reage antes de pensar), atinge os extremos da emoção com rapidez (tristeza e alegria) e não consegue terminar uma tarefa (cansa-se logo, num efeito chamado de fadiga precoce) [...]. O que outras crianças fazem automaticamente para dar conta de uma tarefa de escola pode exigir uma verdadeira batalha cerebral para quem tem TDAH (Vida e Saúde, Agosto 2004, p. 19 e 20).
O diagnóstico de TDAH é fundamentalmente técnico, feito por um profissional de saúde mental, seja médico, pedagogo, psiquiatra, psicomotricista, etc. Uma criança com este quadro, não apresenta lesão neurológica. Isto é, se ela for submetida a um eletroencefalograma, nada de anormal será constatado. [...] Acredita-se, no entanto, que o distúrbio esteja acompanhado de um quadro de disfunção hormonal. Tomografias tiradas dos cérebros de pessoas com TDAH registram um comportamento diferente dos dois neurotransmissores – a noradrenalina e a dopamina – que atuam sobre a atenção e a coordenação motora (VIDA E SAÚDE, Agos. 2004, p. 20).
Vânia Porto Ribeiro Dias (2004), psicóloga, psicopedagoga e psicomotricista, em seu artigo “No Mundo da Lua”, no periódico Vida e Saúde de agosto do corrente ano, afirma que quanto mais estuda-se sobre TDAH reforça-se a crença de que este transtorno em grandes porcentagens seja herança genética. A estudiosa insiste na observância desde cedo aos primeiros sintomas que podem ter características semelhantes a outras patologias, todavia, arrisca alguns critérios, descritos a seguir, que um pai ou uma mãe facilmente podem observar se confirmados – ao menos em oito itens – ou na dúvida, aconselha procurar um neurologista, psicólogo ou psicopedagogo, visto que traçar um diagnóstico preciso é trabalho para um especialista:
Durante a primeira série, não consegue permanecer ocupado com a tarefa por pelo menos uma hora. Existem testes que auxiliam professores, orientadores escolares e pais a diagnosticar a hiperatividade. Há possibilidades de, paralelamente ao tratamento, da família auxiliar no desempenho escolar do seu filho e o ambiente familiar, segundo Vânia Dias (2004):
Para Vânia Dias (2004) é imprescindível lembrar que a criança ou adolescente com TDAH sofre: sofre por ela e por fazer àqueles a quem estima sofrer também.
O rótulo é que ela é uma criança-problema e, não uma criança que está com problema. Saber que a criança não é um problema, nem danada, nem burra, é o primeiro passo para ajudá-la a conduzir a vida com tranqüilidade (VIDA E SAÚDE, Ago. 2004, p. 21).
É importante a paciência, o esforço, o treinar da atenção à família paulatinamente com a pessoa que apresenta TDAH que precisa sentir-se estimulada, motivada a alcançar resultados positivos. Constatamos devido aos estudos lidos do Dr. José P. Schwartzmann (2001), que meninos apresentam freqüência maior de TDAH do que as meninas. E estas, tendem a apresentar mais TDAH com predomínio de sintomas de desatenção, portanto, incomodam menos na escola e em casa do que com os meninos.
Estudos científicos têm indicado claramente a presença de disfunção em uma área do cérebro conhecida como região orbital frontal. É uma região responsável pela inibição do comportamento, pela atenção sustentada pelo autocontrole e pelo planejamento para o futuro. Alterações em uma área chamada córtex parietal posterior, provavelmente, sejam um dos responsáveis pelo TDAH, visto que essa área é bastante relacionada com a atenção. Causas: disfunção ou imaturidade psicológica; transtorno reativo a trauma emocionaloudesajustepsicológico;históriadeabusooumaus-tratos;múltipla substituição dos encarregados por cuidados básicos; exposição intra-uterina a drogas e álcool; baixo peso ao nascer; retardo mental.
Hereditariedade: a contribuição genética parece ser muito significativa, a participação de genes foi suspeitada, inicialmente, a partir de observações nas famílias de portadores de TDAH.
Substâncias ingeridas na gravidez: isto é, a nicotina e o álcool quando ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo-se aí a região frontal orbital.
Sofrimento fetal: alguns estudos mostram mulheres que tiveram problemas no parto, que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chances de terem filhos com TDAH.
Problemas familiares: estudos recentes indicam que o estilo parental (forma de educar os filhos) pode ser conseqüência e não causa do transtorno. Algumas características parecem funcionar como desencadeadores inespecíficos de problemas de saúde mental e de TDAH. Tais características familiares englobam: funcionamento familiar caótico, alto grau de discórdia conjugal, baixa instrução materna, famílias com nível sócio-econômico mais baixo, famílias com apenas um dos pais ou que o pai/mãe abandona a família. As características familiares levam ao surgimento de sintomas que freqüentemente acompanham o TDAH, mas não ao transtorno propriamente dito. Problemas familiares podem agravar um quadro do TDAH, porém não causá-los segundo pesquisas feitas.
Outras causas: outros fatores já foram aventados e, posteriormente, abandonados como causas de TDAH, entre eles o corante amarelo, o aspartame, a luz artificial, a deficiência hormonal (principalmente da tireóide), deficiências vitamínicos na dieta. Todas essas possíveis causas foram investigadas cientificamente e foram desacreditadas.
Pessoas com TDAH têm muitas coisas em comum, mas não são necessariamente iguais em relação ao seu comportamento. Os portadores de TDAH andam freqüentemente juntos, porém isso não é regra geral, pois os indivíduos têm histórias pessoais, personalidades diferentes, estilo de vida particular, outros problemas associados ao contexto familiar, etc. Os indivíduos portadores de TDAH comumente apresentam diversas manifestações consideradas problemáticas para as suas vidas e para a vida das pessoas que convivem com eles. Em função disto, dizemos que “os psiquiatras são os mais indicados para tratar o TDAH, pois ele é classificado como um transtorno psiquiátrico ou neuropsiquiátrico e, não como um transtorno neurológico”, afirma Paulo Mattos (2003) em seu livro “No Mundo da Lua”.
A seguir, citamos alguns dos problemas que podem aparecer juntamente com o TDAH segundo Mattos (2003):
Emocionais: depressão e ansiedade. Sentem-se irritados, queda de rendimento escolar, apetite anormal, sintomas físicos (somatização), baixa auto-estima, instabilidade de humor, sensação de fracasso.
Comportamentais: TOD (Transtorno Opositor Desafiante) – a criança desafia ativamente os pais e professores opondo-se a obedecer as regras e limites. TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) são rituais que passam simplesmente por “manias” como fechar a porta três vezes. A maioria dos portadores de TDAH não apresenta transtornos do aprendizado, embora cometam muitos erros por desatenção e, acabem não estudando o suficiente. Quando se esforçam ou conseguem controlar os sintomas, têm um desempenho normal.
Normalmente a professora é a primeira a observar e reclamar da extrema desatenção, da enorme dificuldade em acatar regras e limites, da grande impulsividade, hiperatividade e agressividade desses meninos e meninas que, interferem negativamente no rendimento total da turma (RAINHA DOS APÓSTOLOS, set. 2004, Comportamento, p. 22).
Dr. Paulo César de Souza enfatiza a necessidade de maiores e melhores informações de muitos profissionais de saúde, pais e equipe pedagógica da escola para com a complexidade de implicações de um diagnóstico de TDAH, da perseverança e atenção por parte da família e do trabalho de auto-estima, ajustes de limites e valorização ao progresso individual / coletivo alcançado durante o tratamento, sabendo distinguir este transtorno de uma simples baixa ou afronta, ou mesmo indiferença a autoridade exercida e desejada pelos adultos que acompanham o indivíduo com o problema manifestado.
A hiperatividade geralmente vem associada de outros distúrbios como, por exemplo, de comportamento. Os distúrbios de comportamento constituem um assunto de grande preocupação para os professores porque, embora muitos casos exijam assistência especializada, a criança problema geralmente permanece em sala de aula, mesmo enquanto o tratamento está se realizando.
Conforme Schulman apud Machado (2002), se um problema de comportamento decorre de uma perturbação afetiva, é preciso estar certo de que a criança não sofre de nenhuma deficiência física, já inúmeros sintomas de perturbação afetiva podem provir de uma deficiência física ou serem agravados por ela.
Muitos psicólogos classificam os distúrbios de comportamento em duas categorias principais: problemas de conduta e problemas de personalidade. Os problemas de conduta relacionam-se a comportamentos que perturbam totalmente as outras pessoas e podem ser dirigidos contra elas, visto que são hostis, agressivos, destrutivos, às vezes, envolvendo delinqüência e psicopatologia. Já os problemas de personalidade, são de caráter neurótico e podem ser chamados de comportamento esquivo, isto é, a criança tem medo de outros, sente-se ansiosa, evita situações que possam expô-la à crítica, ao ridículo, ou a rejeição. Pode manifestar certo grau de hostilidade, mas a menos que esteja submetida a um grau incomum de tensão, refreia sua hostilidade ou dirige contra si própria sob forma de culpa ou autocrítica.
Os distúrbios de conduta chamam mais atenção do que os de personalidade, visto que as crianças com problemas de personalidade são submissas e obedientes, dificultando a observação. Para vencerem os manifestos de alunos com distúrbios de comportamento, muitas vezes, os professores têm recorrido a métodos drásticos de punições severas, o que não contribui para a solução do problema, apenas o afasta por um período de seu contato direto.
Uma das razões pela qual é difícil compreender os distúrbios de comportamento é que eles servem como fuga ou defesa contra a ansiedade (JOSÉ e COELHO, 1993, p. 168).
Há vários tipos diferentes de manobras que as pessoas usam inconscientemente, como meias de lidar com a ansiedade ou tensão. Elas são os mecanismos mentais chamados de“mecanismosdedefesa” ou “mecanismos de fuga”. Segundo José e Coelho (1993), estes mecanismos têm em comum o seguinte: padrões de comportamento aprendidos com o objetivo de reduzir ou eliminar a ansiedade, ao invés de resolver os problemas que constituem a causa básica da mesma. Freqüentemente, os distúrbios de comportamento são criados ou agravados por conflitos. “Os sentimentos de fracasso e desânimo que muitos estudantes desenvolvem como resultado de experiências escolares mal-sucedidas, são a causa agravante de problemas de comportamento mais sérios” (JOSÉ e COELHO, 1993, p. 169).
Assim como existem fatores de pressão, conformidade e competição, reforçando os distúrbios, entretanto existem também as possibilidades, os recursos no ambiente escolar que favorecem uma boa saúde mental e ajudam a amenizar esses mesmos problemas. As oportunidades de brincar em grupo, a cooperação e a expressão fazem com que a criança socialize-se aceitavelmente e supere algumas dificuldades de maneira satisfatória. A postura do professor é muito importante quanto aos distúrbios identificados: não reforçá-los e nem desprezá-los, eis a medida.
Existe uma diversidade muito grande de distúrbios que envolvem o comportamento de uma criança nos seus diferentes níveis desde patológicos até aos que envolvem a adaptação normal da criança frente a um desafio que ela enfrente no seu dia-a-dia. No tocante a anormal, explana Machado (2002), observa-se o agravamento das manifestações de dificuldades emocionais, comportamento problemático, entretanto, até então, não anormal. Verifica-se no anormal: fixação materna, autismo, comportamento destrutivo compulsivo, medo excessivo de tudo (pânico ou fobia), extrema agitação, torpor, sonolência, inapetência (falta de apetite), etc., tendendo a se acentuarem e se fixarem ao longo do desenvolvimento.
O que podemos concluir é que, mesmo diante de um fato considerado anormal, devemos observar a permanência ou a transitoriedade deste fato, visto que a criança pode vir a superar muitos problemas no decorrer do seu desenvolvimento. Esses fatos podem ser considerados como desvios de conduta, ou seja, desvios normais na evolução da criança.
É importante estabelecer responsabilidade: aos pais, a terapia preventiva, aos primeiros sintomas detectados, tratamento clínico nos casos que assim o exigirem, acompanhamento psicomotor por psicomotricista competente, professor preparado e muita, mas muitas paciência e perseverança na busca do retrocesso do quadro destrutivo, evolução do quadro senso-perceptivo, social, afetivo.
Machado (2002) apresenta uma tabela proposta por Mielnick que analisa comportamento adequado, problemático e tendente a anormal. A referida tabela reproduz na íntegra a seguir para não desfigurá-la:
O aluno com TDAH está fadado ao insumo escolar. Rohde e Benczik (2002) argumentam que o indivíduo com TDAH tem muita dificuldade de permanecer sentado fazendo as atividades solicitadas, por um mínimo de barulho distrai-se e preocupa-se então em ver o que está acontecendo, na maioria das vezes não termina uma atividade começada. Os autores definem o TDAH como um problema de saúde mental que pode levar às dificuldades emocionais, sociais e educacionais.
Ainda justificam o estudo dos distúrbios de conduta e outros, para um diagnóstico mais preciso e precoce do TDAH, visto que o TDAH dificilmente apresenta-se num quadro isolado, geralmente vem acompanhado de outros problemas, o que muitas vezes dificulta o tratamento adequado.Os estudiosos ainda lembram que, a individualidade de cada criança está acima de tudo, especialmente quando se aborda um transtorno tão heterogêneo como o TDAH. Finaliza, recordando que, nem todos os indivíduos como desatenção, hiperatividade e impulsividade necessariamente tenha TDAH.
PSICOMOTRICIDADE COM PORTADORES DE TDAH
Para contribuir com uma melhora comportamental de criança hiperativas, devem-se planejar técnicas que ajudem a controlar os seus movimentos ao acaso. Exemplos: uma criança de sete anos aprenderem a andar pelos corredores da escola com as mãos nos bolsos, a fim de controlar a sua tendência de tocar em tudo que encontre pelo caminho; uma outra que entrava e saía das salas de aula ao andar de um lugar para outro aprender a seguir o ladrilho do chão, quando estabeleceu o hábito correto de ir diretamente de uma sala para outra, não precisou mais olhar os ladrilhos, mas andava casualmente pelo corredor com outras crianças. Um professor pode sentar-se ou ficar em pé atrás de uma criança hiperativa e colocar a mão, ou somente um dedo, no seu ombro com um sinal para parar o movimento. Eventualmente, ela internaliza o sentir de sua mão nas costas e adquire controle interno essencial.
O professor deve oferecer uma estrutura onde a criança possa funcionar em termosdeespaço, umaárealimitadaem termosdetempo(períodos de tempo elaboradamente definidos e suficientemente curtos para cada atividade) e, em termos de contexto (planejando e esquematizando as atividades do dia), emocionalmente, estabelecendo limites negociáveis e socialmente trabalhando em grupos pequenos, fazendo agrupamentos seletivos e trabalhando no sentido de integração em grupos maiores. Quando a capacidade para integrar e responder adequadamente melhorarem, os controles externos serão reduzidos.
HIPERATIVIDADE NÃO É UM PROBLEMA INSOLÚVEL
Depois do lançamento do livro Mentes que Brilham e do Globo Repórter sobre hiperatividade, tem muita gente se denominando hiperativa. O fenômeno está na moda, virou doença da vez, o que é “preocupante” (Rainha dos Apóstolos, set. 2004, Caderno Comportamento, p. 22).
Para o psiquiatra Paulo César de Souza (2004), há necessidade de distinguir-se depressão, dificuldade de aprendizagem por aprendizagem lenta ou TDAH. Há ainda de se definir critérios, objetivos, parâmetros de avaliação e acompanhamento por parte da família-escola-médico, e não criar rotulações absurdas ou status de problema instransponível / insolúvel como desculpas; à inobservância de regras e despreparo educacional, familiar, terapêutico, frente a quaisquer distúrbios queapresentem sintomas semelhantes aoTDAH.Sendo ainda inaceitável no século XXI, o constrangimento e preconceito para com o tratamento psicológico-psiquiátrico, conforme casos que os requeiram.
Segundo Paulo César de Souza (2004), de posse da avaliação de um ou mais especialistas da área da saúde, torna-se possível tomar as decisões cabíveis em cada caso, para tanto, justifica-se métodos disciplinares psicomotores, permitindo que as regras sejam mais fortalecidas e fiquem longe da banalização de mera falácia.
Medidas complexas para caso complexo são a única maneira de dar atenção necessária e assim, acabar de vez com o paradigma de problema insolúvel, que não pode fazer parte de uma psiquiatria moderna. Frente a esse desafio, propomos um novo modelo de atendimento psiquiátrico multidisciplinar, chamado simplesmente de atenção à saúde mental, implicando o sujeito, a família, a escola, o psiquiatra e demais profissionais de saúde e, em sintonia dialógica e sem morosidade (SOUZA, 2004, p. 23).
Reafirma o Dr. Paulo César de Souza (2004) que, crianças assim, sendo tratadas convenientemente, são verdadeiros desafios e investimentos, onde resultam sucessos relativos. É preciso dar um passo de cada vez, ser modesto nas expectativas envolvendo estes casos, no entanto, salienta que se houver tratamento adequado, é certo o ganho para a criança, o adolescente, o adulto com transtorno, para a turma e, sobretudo, para a escola e a família; desta feita fortalecerá o vínculo relacional evitando-se comparações, distorções e à banalização de punições.
Defendemos o envolvimento de todos: psicólogos, psicomotricista, professor, psiquiatra, família e o próprio indivíduo e, também, a valorização da estima como suporte à adequação e superação de obstáculos pressupostos pelas características do transtorno em questão. Salientamos que o comprometimento, a perseverança no atendimento e trabalho terapêutico / pedagógico problemas como TDAH, não são problemas insolúveis, há avanços positivamente de relevância.
A hiperatividade e a falta de atenção são responsáveis por taxas crescentes de repetência, suspensões e até expulsões da escola (VIDA e SAÚDE, Março/2002, Sala de Espera, p. 8).
Para Rohde e Benczik (2002), são fundamentais o diagnóstico precoce do TDAH e o início imediato do tratamento. Rohde e Benczik (2002) esclarecem que, todas as criançassão desatentaseimpulsivaseexibem altos níveis de energia de vez em quando. No caso de TDAH, esta conduta se manifesta quase todo o tempo. Por isso, não basta que a criança exiba a conduta descrita hiperativa, ainda assim, são indispensáveis avaliações apropriadas, a partir do diagnóstico positivo ao transtorno para melhores possibilidades de tratar o distúrbio serão apresentadas.
O TDAH é o distúrbio do neurodesenvolvimento mais comum na infância. Os sintomas de hiperatividade estão mais presentes nos meninos e os de desatenção mais presentes nas meninas.
O TDAH não é restrito à infância. Em adultos, constitui o transtorno neuropsiquiátrico, não diagnosticado mais freqüente. Os sintomas de TDAH se modificam com a idade. As crianças apresentam hiperatividade motora, agressividade, baixa tolerância à frustração e impulsividade. Adolescentes e adultos apresentam sintomas de distração, desatenção, mudança freqüente das atividades, irritabilidade, impaciência, agitação. O transtorno segundo os estudiosos, acompanha a maioria dos pacientes ao longo de suas vidas, nos diversos contextos.
As conseqüências individuais (incluindo a baixa estima), familiares e sociais geram sempre algum grau de incapacidade e sofrimento, associado a prejuízo significante no desempenho escolar e profissional. Entretanto, existe tratamento contínuo, objetivando melhora em todas as áreas prejudicadas pelo TDAH.
A causa do transtorno não é totalmente conhecida até o momento, existindo várias teorias para seu aparecimento, tais como: predisposição genética, comprometimento do lobo frontal e anormalidades nos gânglios da base, sugerindo a hipótese de uma disfunção fronto-estriada. As pesquisas mais recentes apontam para disfunções em neurotransmissores dopaminérgicos e noradrenérgicos, que atuam na região cortical do lobo frontal do cérebro, justamente uma região relacionada à inibição de comportamentos inadequados, à capacidade de prestar atenção ao autocontrole e ao planejamento.
Estudos são ainda escassos, não permitindo conclusões bem definidas, porém para Fichtner (1997), em função do nível sócio-econômico, é observado um crescente número de indivíduos com TDAH em classes menos favorecidas.
Ainda, segundo o especialista em questão, a visão preconceituosa e repressiva do TDAH atrai para aquele que o apresente castigos de toda naturezae discriminação no meio em que vive. Com um conhecimento mais profundo do que TDAH, uma conscientização da importância de se ter um diagnóstico preciso, específico, precoce, terapêutico e pedagógico para assim dar os primeiros passos para o tratamento é evidente.
O melhor e mais barato método diagnóstico é fácil de realizar: perguntar, perguntar, perguntar. A história clínica é sempre soberana, é preciso sempre voltar ao passado, ver os cadernos, avaliar seu conteúdo e estado, as redações, os boletins e os comentários dos professores.
História de indisciplina, repetência, suspensões e expulsões pontilham a vida escolar dos portadores de TDAH. Como o TDAH não inicia na adolescência e nem na vida adulta e, sim, na pré-escola, portanto, a investigação deve retroceder a esta fase do desenvolvimento.
Não existem testes psicológicos que dêem diagnóstico objetivo de TDAH. Contudo, eles podem ser aplicados para avaliar a atenção e o planejamento. Pode-se descobrir que há diminuição da capacidade para fixar o olhar e analisar material visual apresentado ou haver baixos escores para atividades verbais e funções executivas. No Teste de Desempenho Escolar (TDE), há sempre um atraso em relação a média da classe onde estuda.
Na revista Vida e Saúde de agosto de 2004, a Drª. Vânia Porto Ribeiro Dias, psicóloga, psicopedagoga e psicomotricista, declara que quanto mais especialistas estudam, mais se reafirma a possibilidade de que esse distúrbio possua um forte aspecto genético e que, portanto, possa ser herdado.
Há uma grande preocupação com a ação devastadora que o TDAH possui sobre a auto-estima, auto-imagem e autoconfiança e os prejuízos causados à vida acadêmica, familiar e trabalho, principalmente nos casos não diagnosticados e/ou tratados. Muitos são os casos de indivíduos que começam um tratamento após os 20 ou 30 anos de idade e que passam despercebidos desde a fase pré-escolar, adolescência e, adentram na vida adulta sem serem identificados.
Recentes aportes terapêuticos e psicofarmacológicos, segundo as pesquisas têm trazido resultados animadores aos portadores de TDAH quando conduzidos por profissionais conhecedores deste transtorno neuropsiquiátrico.
Hoje, com os avanços da biologia molecular, da medicina e, principalmente da genética, sob critérios diagnósticos padronizados, sob estudos epidemiológicos, percebemos uma revolução em busca da metodologia adequada a terapêutica aliada a uma proposta psicomotriz e pedagógica onde de fato haverá solução prática (remédio) de um problema que se infiltra de modo alarmante em todos os âmbitos dasociedade,semahipocrisiado que setemfeitomuito e, de que com algumas palestras, seminários e debates o transtorno será remediado. O resultado virá a longo prazo, engatinha-se, pois é natural do ser humano discriminar o que fosse ao padronizado como correto.
Mediante os estudos feitos, constatou-se que a adequação das opções educativas com técnicas para melhorar a aprendizagem, estimular o crescimento do vínculo familiar, com tratamento farmacológico (usados) no propósito de beneficiar qualidade social e escolar (em determinados casos).
Sabe-se que a hiperatividade melhora com o tempo e que seus sintomas mudam com a idade, que a hiperatividade compromete e complica em todas circunstâncias da vida de uma pessoa com este transtorno que pode ser amenizada, treinada, conduzida, melhorada com tratamento pedagógico e terapêutico.
O tratamento do TDAH é multidisciplinar e enfoca as áreas: cognitiva, emocional, social e pedagógica, visando evitar os desajustes sociais (uso de drogas, furtos, alcoolismo, agressões), que aparecem com freqüência na evolução destas crianças. Aproximadamente 70% das crianças com TDAH/I respondem às drogas estimulantes do SNC, tais como metilfenidato.
Outras drogas como imipramina, nortriptilina, bupropiona, clonidiona e atomoscetina constituem importantes ajudantes no tratamento clínico: com melhora no desempenho escolar, diminuição da atividade motora, impulsividade e agressividade.
O papel do neuropediatra consiste, essencialmente, em reconhecer a forma de tratamento prioritário para cada criança, lembrando que, em nosso país, onde não existem centros de reabilitação unificados, é preciso usar o bom senso para não correr o risco de sobrecarregar a criança e a família com excesso de terapias, agravando ainda mais o problema já existente.
Dependendo da criança, a indicação para tratamento pode ser variada: psicomotricista, psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo. A hiperatividade traz sérios transtornos de comportamento, atos de indisciplina, vandalismo, rejeição social, familiar e escolar. Em face destas características é denominado indisciplinado, mal educado, e endiabrado. [...] O portador de TDAH tem forte compulsão a se apressar, agradar para ser aceito, se esforçar para compensar sua dispersão, rejeição e dos inúmeros fracassos que ocorrem no dia-a-dia (ROHDE e BENCZIK, 2002, p. 38).
O indivíduo com TDAH é desorganizado, tem baixo desempenho nas tarefas cotidianas e se protege de críticas e de fracassos, esforçando-se mais e mais quanto antes for diagnosticado o TDAH, maior será o controle sobre a dispersão da atenção, atividade e impulsividade. A partir deste controle, as técnicas comportamentais cognitivas e psicopedagógica podem dar bons resultados e dispensar até mesmo o uso de medicamentos. Entre o tratamento de maior aceitação, quando disponível e conhecido, está a psicomotricidade: a prática psicomotriz relacional apresenta à pessoa com TDAH e seus colaboradores método lúdico, interpessoal e intrapessoal, sustentada na ação do brincar, do jogo como meio terapêutico e psicopedagógico.
Em suma, a psicomotricidade relacional utiliza-se de métodos não-diretivos, embora a atividade que se oferece deva ter rotina: com início, meio e fim. Todavia, os métodos não diretivos permitem que se façam interpretações significativas das ações que a criança experimenta quando se exterioriza, seja através da representação, criação ou imaginação, devendo ser um ato intencional com intervenção do facilitador quando necessário.
A união de forças como escola-lar faz a diferença, ajudando no tratamento do TDAH. O professor pode observar uma discrepância entre o potencial intelectual e o desempenho escolar do aluno, mesmo em crianças com inteligência acima da média. O primeiro passo a ser dado é verificar o que realmente está ocorrendo. É importante evitar situações de insucesso contínuo que levem a uma desvinculação progressiva do processo de aprendizagem e ao aumento da dificuldade de interação com os adultos e mesmo com os colegas.
Não se concebe, atualmente, uma escola exclusiva para portadores de TDAH uma vez que, o convívio com colegas da mesma idade é benéfico. Assim, lhes é apresentada a oportunidade de aprender a lidar com regras e com os limites de uma estrutura organizada. A escola que melhor atende as necessidades e anseio destas crianças terá por objetivo o desenvolvimento do potencial de cada um, respeitando as características individuais, sempre reforçando os pontos fortes e auxiliando na superação dospontos fracos, evitando que os problemas da criança sejam personalizados e que o aluno seja rotulado (preguiçoso,aviado, indisciplinado, depressivo, agressivo, desajustado e desastrado). A comunicação entre a escola e a família é muito importante, permitindo a troca de experiências entre pais e professores. Saber o que se passa com a criança ou adolescente durante o tempo em que está em um dos dois ambientes (lar / escola) é extremamente útil para a composição do quadro real. Alguns estudiosos recomendam a comunicação escrita diária, se necessária, tendo como objetivo a cooperação e não a cobrança ou rivalidade.
PSICOMOTRICIDADE COMO TERAPIA PARA CRIANÇA OU ADOLESCENTE QUE SOFRE DE TDAH
Para Bromberg (2001), depois de determinado que a criança ou adolescente sofre de TDAH, se faz necessário o trabalho multidisciplinar envolvendo pais, professores e terapeutas. Juntos planejarão e farão parte do tratamento, quanto às estratégias e intervenções que serão implementadas para o atendimento desse aluno.
A maneira mais eficiente de tratar o TDAH é através de trabalho de grupo, que envolve tanto abordagens individuais com o portador como medicação, acompanhamento psicológico, terapias específicas, técnicas pedagógicas adequadas e estratégias para as outras pessoas que convivem com ele como terapia para os pais ou família, esclarecimento sobre o assunto para pais e professores, treinamento de profissionais especializados, segundo Goldstein (1994).
Já para Simth e Strick (2001), é necessário que as pessoas envolvidas no processo de acompanhamento mantenham forte e estreita comunicação e colaboração entre si, possibilitando assim, o desenvolvimento do potencial ao indivíduo com TDAH de modo adequado e compensador, sendo a prática de atividades física bastante aconselhável neste caso.
Para agir no mundo é preciso que a motricidade de uma criança funcione, fruto da maturidade orgânica que, embora seja condição, não é suficiente por si só. Pode-se afirmar que para um desenvolvimento psicomotor pleno e saudável é importante um ambiente rico em estimulações. Percebem-se a partir daí, a necessidade de se considerarem as possibilidades de experiências diversificadas à criança, ou ao adolescente, que apresente defasagem psicomotora. A avaliação de um psicomotricista é fundamental para se determinar a necessidade de ajuda terapêutica. A partir dos estudos de Wallon, surgem várias correntes, vertentes, teorias que enfatizam a reeducação psicotônica.
Para Lapierre, a psicomotricidade é concebida incluindo as relações humanas, carências, perturbações e dificuldades, incluindo projeções inconscientes. Para Aucouturier, a psicomotricidade tem sua função até os sete ou oito anos. Um ponto em comum entre Lapierre e Aucouturrier refere-se à formação psicomotricista. A atualização deve ser essencialmente corporal, permitindo mais que um saber intelectual, uma integração de conhecimentos de si mesmo, das reações corporais, afetivas, emocionais.
É importante para o indivíduo com o transtorno de TDAH, ser diagnosticado o mais cedo possível, não com a finalidade de rotulá-lo, mas para que as intenções necessárias possam ser feitas, sendo estas através de tratamento terapêutico, psicológico e psicopedagógico adequado.
Para obter resultados positivos é indispensável convencer os pais que o tratamento indicado pelos especialistas deve ser levado a sério, aos educadores um melhor preparo e turmas menores, facilitando o trabalho estudantil e a qualidade de aprendizagem, e valorização da psicopedagogia e da psicomotricidade como intervenção de ajuda no tratamento deste transtorno.
As crianças e os adolescentes com TDAH precisam de ajuda de um bom psicomotricista para libertá-las de seusbloqueios, ajudando-as a descobrir prazer nos movimentos. A terapia faz com que a criança possa ir do prazer de agir para o prazer de pensar.
Como a psicomotricidade pode intervir e ajudar essas pessoas com TDAH? O psicomotricista é um especialista do desenvolvimento psico-afetivo da criança pela vida da ação e da brincadeira através da transformação do espaço e do outro, a nível simbólico, a criança poderá conter seu pensamento e se engajar, verdadeiramente na ação, saindo da atividade motora impulsiva em que se encontrava para conter os impulsos de umaconstanteatividade nas crianças hiperativas precisamos colocá-las na ação, engajando-a no processo d simbolização e representação.
Na relação do psicomotricista com a criança e adolescentes hiperativos, o terapeuta e o facilitador poderão utilizar desse conceito e manter um ritmo próprio, o que levará a criança a introjetar em si, através da relação com o outro, um ritmo que é diferente do seu ao interagir, a criança poderá reconstruir um fundo de representação / transformação e se engajar num processo de mudança.
[...] a psicomotricidade se propõe a permitir ao homem sentir-se bem na sua pele, permitir que se assuma como realidade corporal, possibilitando-lhe a livre expressão do seu ser. Não se pretende aqui considerá-la como uma “panacéia” que vá resolver todos os problemas encontrados em sala de aula. Ela é apenas um meio de auxiliar a criança a superar suas dificuldades e prevenir possíveis inadaptações. Ela procura proporcionar ao aluno algumas condições mínimas a um bom desempenho escolar. Pretende aumentar seu potencial motor dando-lhe recursos para que se saia bem na escola. O indivíduo não é feito de uma só vez, mas se constrói paulatinamente, através da interação com o meio de suas próprias realizações e a psicomotricidade desempenha aí um papel fundamental (OLIVEIRA, 1997, p. 36).
A psicomotricidade como terapia é um suporte que auxilia a aquisição do conhecimento do mundo da criança, através de seu corpo, de suas percepções e sensações. Tanto na atividade educativa, psicomotriz, reeducativa, a relação da criança com o adulto é de relevante importância, pois o adulto adentra o universo da criança, para tanto, estabelece-se na psicomotricidade uma relação afetivo-relacional-relacional-reeducativa.
A boa evolução da psicomotricidade na terapia do TDHA é expressa através da postura, das atividades e do comportamento. Um bom facilitador psicomotor, com sua disponibilidade e competência técnica pode ajudar muito o aluno, a criança e o adolescente.
A primeira coisa a se fazer numa terapia para desenvolver a autonomia e potencialidade de uma criança e saber o que é estável e o que é prioridade para ela. Reconhecer seus limites é essencial para o seu desenvolvimento e a psicomotricidade relacional executa-se desta maneira.
A seguir, dos teóricos pesquisados sobre TDAH, vê-se a importância de cada um como instrumento para uma avaliação reflexiva sobre o desenvolvimento progressivo comprometido da criança e do papel da família, educadores, especialistas sobre o distúrbio, da necessidade da psicomotricidade como intervenção de ajuda no tratamento do transtorno r das condições favoráveis que a mesma pode proporcionar ao pleno desenvolvimento da criança.
A psicomotricidade como terapia trabalha com a movimentação da criança hiperativa, objetivando um melhor controle da criança sobre seus movimentos, prevenindo ou corrigindo dificuldades apresentadas. Os exercícios psicomotores devem ser acompanhados por especialistas. A psicomotricidade é aplicada através de brincadeiras, atividades espontâneas e mesmo a linguagem utilizada livremente pelas crianças; ela trabalha, avança, brinca, aprende, modifica-se, além de compreender e superar de modo mais fácil suas limitações.
O objetivo da psicomotricidade relaciona-se como atividade reeducadora da prática psicomotriz é eliminar no indivíduo mecanismos e hábitos que consistam em dificuldades em realizar, suja aquisição deu lugar à perturbações. A psicomotricidade relacional como reeducação psicomotora é uma técnica que constitui em torno de dinâmicas reeducar o ser com distúrbios vários, entre os quais o TDAH.
A terapia psicomotora estende-se desde a expressividade motora do movimento à invenção das fantasias infantis, sem distanciar-se da afetividade potencializando as habilidades motoras, aperfeiçoando, respeitando as dificuldades, exercendo a comunicação e o jogo como forma harmônica, onde se aprende a falar e ouvir nos momentos precisos.
Com educação psicomotora a criança, o adolescente toma consciência do seu corpo, da lateralidade, da sua situação e da situação de outros objetos no espaço do domínio temporal além de adquirir habilidades de coordenação de seus gestos e movimentos.
A psicomotricidade atual é fundamentada na interdisciplinaridade com práticas associadas as concepções psicomotoras existentes considerando-se os determinantes biológicos e culturais da criança contribuindo para a construção dialética do motor (corpo), da mente (emoção) e da inteligência.
Confirma Negrine (1998), que a psicomotricidade de cunho educativo deve estar destinada a crianças em idade pré-escolar, de preferência a partir dos primeiros anos de vida. É uma ação psicopedagógica que tem como objetivo favorecer os avanços nos processos de comunicação, expressão corporal e de vivência simbólica. Já a psicomotricidade de cunho terapêutico deve ser destinada a crianças que apresentam dificuldades aparentes na comunicação, tanto na expressão corporal. Como de vivências simbólicas. Sejam elas de desenvolvimento neurológico normal ou alterado, com necessidades especiais (físicas ou mentais).
A psicomotricidade como terapia e intervenção de ajuda pedagógica às crianças e aos adolescentes como TDAH trata=se de uma ferramenta que potencializa mudanças, promove questionamentos, reavaliações, transformação face à investigação do novo, em função de se rum processo infinito de reconstrução. A terapia psicomotora busca resulta dos promissores quanto a diminuição, prevenção na evolução da TDAH, e aprendizagem, portanto, é indispensável nos estabelecimentos de ensino para que os objetivos propostos pela psicomotricidade sejam encaminhados, desenvolvidos e desempenhados numa proporção aceitável, mas não acomodável, pois tem como meta a educação.
O psicomotricista ou terapeuta deve saber quando e por que intervir em determinadas situações. Na psicomotricidade relacional, que é um método não diretivo, que é permitido interrupções significativas nas ações que a criança realiza, podendo ser através de gestos, de produção gráfica, ou até mesmo através da linguagem, segundo Negrine (2002).
O facilitador ajuda no desenrolar das atividades psicomotoras, não apenas pelo contato físico como também através do olhar, da mímica e da comunicação verbal. Um educador, a partir de um bom conhecimento do desenvolvimento do aluno, poderá estimulá-lo de maneira que todas as áreas como psicomotricidade, cognição, afetividade e linguagem estejam interligadas (OLIVEIRA, 1997, p. 37).
É importante como afirma Oliveira (1997), que o professor demonstre carinho e aceitação integral do aluno para que este passe a confiar mais em si mesmo e consiga expandir-se e equilibrar-se. O adolescente ou criança com TDAH, sentir-se-á bem na medida em que se desenvolver integralmente através de suas próprias experiências, da manipulação adequada e constante, das oportunidades de descobrir-se.
Os conflitos relacionais que permeiam a sociedade exigem que se reflita cada dia mais para que os profissionais de todas as áreas invistam seus conhecimentos na busca e redescoberta de valores que promovem as relações humanas.
O psicomotricista a cada sessão terapêutica ou preventiva observa o jogo espontâneo do qual participam as crianças, o qual lhe permitirá ver os papéis que cada indivíduo desempenha espontaneamente e a repetição de seu comportamento, com estratégias relacionais que cada criança utiliza para evitar ou enfrentar as suas dificuldades.
As crianças com dificuldades relacionais têm limitações na aprendizagem. O professor intervém como componente do jogo e responde da mesma maneira a demanda das crianças, transformando-se em um “padeiro simbólico” do jogo. Essa vivência simbólica será repassada para o cotidiano dos nossos alunos como elemento facilitador de suas relações.
O papel do educador, reeducador ou terapeuta é de estrema importância e responsabilidade, dentro da proposta relacional, pois sabemos relevante enfatizar os aspectos positivos da criança, ao mesmo tempo, não abandonando os aspectos negativos, sendo ponto de partida na busca por soluções adequadas para os diferentes casos.
Enquanto educadora da área da Educação Física ou não, é vital a observância quanto à formação do adulto (educador, terapeuta, reeducador, etc.) porque somente com o certo conhecimento, sabendo-se das limitações, controlando emoções, irá conseguir-se compreender melhor o universo infantil e, assim, contribuir de maneira eficaz para termos no futuro, já nas crianças de hoje, um adulto mais equilibrado e em harmonia consigo mesmo e com os outros.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BROMBERG, M.C.. Hiperatividade. http://www.hiperatividade.com.br.
GOLDSTEIN, S. Hiperatividade: como desenvolver a capacidade de atenção da criança. Tradução: Maria Celeste Marcondes. Campinas (SP): Papirus, 1994. 85
JOSÉ, E. da A.; COELHO, M. T. Problemas de Aprendizagem. 4. ed. São Paulo: Ática, 1993.
LAPIERRE, André; AUCOUTURIER, Bernard. A simbologia do movimento, psicomotricidade e educação. São Paulo: Manole, 1986.
MACHADO, P. B. Comportamento Infantil: estabelecendo limites. Porto alegre: Mediação, 2002.
NEGRINE, A. Educação Psicomotora: a lateralidade e orientação espacial. Porto Alegre: Pallotti, 1986.
___. A Aprendizagem e o Desenvolvimento Infantil. Porto Alegre: Prodil, 1994.
___. Corpo na Educação Infantil. Caxias do Sul (RS): EDUCS, 2002.
___. Terapias Corporais: a formação pessoal do adulto. Porto Alegre: Edita 1998.
OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: Aprendizado e Desenvolvimento: um processo sócio-histórico. São Paulo: Ed. Scipione, 1997.
ROHDE, L. A. P.; BENCZIK, Z. B. P. Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Porto Alegre: Artmed, 2002.
SCHWARTZMAN, J. S. Transtorno de Déficit de Atenção. São Paulo: Mackenzie, 2001.
SMITH, C.; STRICK, L. Dificuldades de Aprendizagem de A a Z. 1.ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.
SOUZA, P. C. de. Hiperatividade não é problema insolúvel. In: Rainha dos Apóstolos. Ano 81, n. 959. São Paulo: Pallotti, Set. 2004. p. 22-26. |
|||||||