OS ESPACOS
O Espaço Terapêutico na Psicomotricidade Relacional
As características do ambiente são importantes, para favorecer a relação terapêutica durante as sessões de Psicomotricidade Relacional. O espaço à disposição deve ser amplo para permitir os movimentos tanto da criança quanto do terapeuta, inclusive para correr sem constrangimento ou limitações. Também é necessário que se estabeleça neste ambiente tranqüilidade, isento de interferência de pessoas alheias a este trabalho. As características principais da abordagem psicomotora e corporal são a disponibilidade perante a relação e a adaptação à realidade psicológica da criança a fim de facilitar a comunicação e a evolução dos conflitos que as condicionam. Isto não permite sequer prever o que se vai fazer durante a sessão, motivo porque uma planificação do trabalho frequentemente se demonstra inútil ou prejudicial, por correr o risco de fazer-se perder a disponibilidade e a autêntica escuta, permanecendo demasiado vinculado ao programa terapêutico previamente estabelecido. O projeto terapêutico de uma sessão de Psicomotricidade relacional encontra até mesmo sua validade no próprio fato de ser concebido e realizado durante a própria sessão. Diversamente dentro do projeto terapêutico geral, fazem-se referência a alguns princípios teóricos, como jogos livres, transferência, regressão, separação e autonomia, que constituem as bases fundamentais da relação terapêutica dentro da Psicomotricidade Relacional. As sessões são caracterizadas por colocar as crianças perante situações de atividades espontâneas, durante a qual tem à sua disposição de cada vez, uma certa quantidade de materiais simples, como, balões, bolas, almofadas, colchonetes, etc., com os quais pode fazer tudo o que lhes der vontade, devendo poder expressar dessa forma, suas pulsões, emoções, desejos, rejeições, etc. O fato de apresentar situações desse tipo, sem qualquer instrução e com materiais simples, sem um significado racional demasiado evidente em uma modalidade de uso excessivamente específico, favorece a expressão autêntica da criança, a sua maneira de ser e com isso, toda a problemática que a acompanha. È quando a criança brinca através de suas produções simbólicas ou fantasmáticas, suas posturas e comportamentos, que cuidadosamente se elaboram interpretações a fim de compreender sua realidade psicológica mais oculta e de procurar estabelecimento de uma comunicação. A forma de comunicação com a criança, e o meio de se trabalhar sua problemática é ajudando-a a superar suas dificuldades e fazer com que as esqueça, consistindo em se trabalhar com aquilo que ela apresenta de positivo, interessando-se pelas coisas que a criança sabe fazer e não ao contrário.
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